sábado, 30 de janeiro de 2010

AGRADÁVEIS SURPRESAS!!!

Nestes dias de férias resolvi assistir alguns filmes que por muito tempo havia protelado. Alguns eram indicados e outros nasceram de minhas curiosidades e passeios pela internet. Entre várias coisas boas como Sophie’s Choice e The Bridges of Madison County me deparei com outras jóias preciosas que realmente mexeram com minha percepção sobre várias coisas. Steel Magnolias, Tea With Mussolini e Moonstruck foram surpresas que me deram lágrimas, sorrisos, euforia e recordações.

Dentre os filmes citados, o mais especial foi Steel Magnolias. Este conta basicamente a história dramática de uma mãe protetora, uma filha doente proibida de ter filhos e um grupo de amigas que vivem em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos. A filha, Shelby, é vivida por Julia Roberts, que neste filme apresenta uma doçura incomparável com qualquer outra presente em uma de suas produções que possivelmente tenha visto. A mãe, M'Lynn, é interpretada por Sally Field, que graças as suas interpretações em Places In The Heart e Norma Rae já havia me conquistado. Além das duas já citadas, o grupo de amigas também é composto por Truvy (Dolly Parton), Louisa Ouiser (Shirley MacLaine), Clairee (Olympia Dukakis) e Annelle (Daryl Hannah).

Destas atrizes, algumas chamaram minha atenção. Shirley MacLaine eu já venerava por ter arrasado em Coco Chanel. Daryl Hannah foi uma surpresa, depois de vê-la dezenas de vezes como a invejosa, inescrupulosa, cruel, suja e caolha Elle Driver (California Mountain Snake) em Kill Bill 1 e 2, foi um máximo encontrá-la mocinha de tudo no papel da sofrida, frágil e inconstante Annele. Olympia Dukakis eu não conhecia, e com ela tive grandes surpresas, que quero compartilhar em seguida. O grande charme de Steel Magnolias, acredito, está na possibilidade de enxergarmos laços de amizades profundos que despertam inveja pela concretude que possuem. Além disso, é lindíssimo vermos a história de cada uma destas mulheres se desenrolar em meio uma trama que prende suas emoções e as liga ao mundo cotidiano das famílias, das vontades e desejos, das dores, dos momentos ruins, das felicidades e das mudanças de rumo que a vida nos oferece.

Tea With Mussolini também me comoveu por mostrar de maneira doce e sensível as relações de fraternidade, companheirismo e amizade entre pessoas imersas na situação de guerra. Em Florença (Itália), durante a Segunda Guerra Mundial, várias senhoras britânicas passam apuros por se tornarem inimigas do Estado Italiano depois da adesão inglesa à guerra. Neste momento, a união destas legítimas senhoras britânicas acontece de maneira inesperada e necessária, as relações antes não tão próximas se alteram e revelam uma nova cumplicidade gerada pela experiência com a nova situação vivida. Uma das questões que é explorada no filme é oriunda da união de dois preconceitos: idade e gênero.

Os principais personagens presentes no filme são mulheres idosas, que, em um primeiro momento, revelam certa fragilidade e incapacidade de resistência. Isso, no decorrer da história, perde força e é completamente abolido, dentre outras coisas, por uma cena linda. Com o final da guerra, as tropas escocesas adentram a cidade onde as senhoras se encontram alojadas como prisioneiras do estado, neste momento os soldados italianos tentam demolir um marco histórico e artístico da cidade com a finalidade de não deixarem nada para as tropas inimigas. O fato não é consumado pela coragem que estas mulheres tiveram de se enrolar nas dinamites em volta do monumento prestes a ser demolido, despertando a ira dos soldados italianos e preservando o marco artístico.

Steel Magnolias e Tea With Mussolini possuem algo em comum, em minha opinião, são clássicos que antecedem o chamado movimento “Girl Power”. Não estou ligando-os ao slogan, creio que são melhores que isto. Estes filmes possuem uma beleza genuína ao declarar e dar poder ao gênero feminino de maneira a retirar dele o estigma da fragilidade e inferioridade sem cair na vulgarização da mulher. Eu já falei que adoro Sexy And The City? Pois é, adoro. Eu creditava ao seriado este tipo de manifestação e reivindicação. Porém, em meio ao mundo da moda, dos relacionamentos de casais e da excessiva necessidade de exaltar New York a perca deste sentimento de exaltação é inevitável. Se soubesse que um dia desfrutaria de tão maravilhosos filmes não teria gasto tanto dinheiro com o Box da série, mas sim comprado em DVD estes dois filmes valiosas que, por vezes, me senti culpado de tê-los baixado por um Torrent da vida.

Moonstruck (O Feitiço da Lua) foi mais uma surpresa que tive nestes dias de férias. Eu, como fã assumido de Cher, tinha que ver o filme pelo qual a grande cantora ganhou o Oscar. Infelizmente não foi na companhia de pessoas que, como eu, gosta da cantora e adoraria vê-la interpretando Loretta Castorini. Depois de assistir, sinceramente, não sei como a cantora conseguiu desbancar Meryl Streep em Ironweed na disputa pela estatueta. Porém, fiquei apaixonado pela personagem Rose Castorini, interpretada por Olympia Dukakis, mesma atriz que faz Clairee em Steel Magnolias.

O filme é uma comédia romântica muito agradável e explora com elegância a cultura italiana, mais especificamente, a dos italianos imigrantes e residentes no Brooklyn, New York. Cher, Loreta Castorini, é pedida em casamento por um homem que não ama e ela aceita, porém, este viaja e lhe pedi um favor, convidar o irmão brigado para o casamento, no entanto, Loreta e o irmão do noivo (Nicolas Cage) acabam tendo um caso e se apaixonam. Além disso, amarrado ao conflito principal, temos a mãe de Loreta, Rose Castorini, uma italiana típica, que sabe que a filha está se metendo em confusões amorosas e que seu marido possui um caso extraconjugal.

Foram várias as vezes que me peguei rindo em situações do filme, principalmente aquelas onde tentavam mostrar os modos como os italianos se expressam. Lembrei de minha avó paterna, que logo depois de uma “arte”, aos gritos, me chamava de desgraciado, e em seguida, depois de um berreiro, adulava-me dizendo: “a nonna ti ama”. Ela dizia estas palavras com uma sonoridade ímpar, impossível de ser desvinculada da língua italiana, semelhante ao personagem Rose Castorini em uma das cenas finais do filme. Contudo, minha surpresa maior foi com Olympia Dukakis, uma atriz de origem grega que me adoçou pela beleza singular, pelo tom de voz grave e doce ao mesmo tempo e pela atuação adorável em ambos os filmes. Amor a primeira vista. Espero conferir outros trabalhos da atriz, caso conheçam, por favor, me indiquem filmes com ela.

Espero não ter sido cansativo com este segundo post. Não sou critico de cinema e nem tenho a pretensão de ser, só coloquei em evidência minhas percepções acerca destes filmes que mexeram tanto comigo. Coloquei algumas fotos e dois vídeos, ambos das atrizes que ganharam o Oscar por Moonstruck, Cher (melhor atriz) e Olympia Dukakis (atriz coadjuvante).

Abraços, Felipe.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O NOME!!!


Assim como amigos e colegas, também tive vontade de criar um blog para expressar e compartilhar um pouco daquilo que penso, sinto e vivo. Acredito que a criação de um espaço virtual para evidenciar opiniões e alavancar discussões é um dos poucos benefícios creditados ao mundo moderno e globalizado que nos cerca.
Na simples tarefa de criar e “dar uma cara” ao novo espaço, fiquei impressionado com minha dificuldade em escolher um plano de fundo legal, uma cor interessante, uma foto e uma definição honesta de mim mesmo. Porém, nenhuma destas tarefas se compara com a dificuldade sentida na investigação de um nome para este blog. Os nomes que escolhia intercalavam-se entre a pura formalidade e a máxima informalidade, a demasiada e arrogante originalidade e o pior do senso comum, a fuga extrema daquilo que propõe este espaço e a aproximação tão evidente que retirava do blog a curiosidade e o interesse. Por vezes tive a impressão de estar criando um produto, assim como um publicitário que procura a melhor aparência através da adequada cor, imagem, letra, forma, nome, definição, etc.
Será que as pessoas que criam estes espaços passam por este mesmo dilema? Meus amigos e colegas deveriam ter falado sobre ele. Seria um grande alerta ao incomodo por mim sentido, que creio eu, advém do mundo que passei a percorrer nestes últimos três anos. Nas Ciências Sociais o contato com várias disciplinas e pensadores leva o indivíduo a um viés critico de si mesmo que percorre as várias atividades de sua vida. Neste caso, deparei-me como um marqueteiro de mim mesmo e daquilo que penso, um ser vago, buscando na cor adequada a fórmula de atração para possíveis leitores, desrespeitando e desvalorizando o apego ao conteúdo em detrimento da forma e aparência das coisas.
Contudo, consegui encontrar um nome para este pequeno espaço, ARRAZOAR. Palavra com profundo conteúdo, que expressa muito bem o meu desejo com este blog e seus possíveis leitores. Sua multiplicidade de definições (segundo o Aurélio) não prejudicou na sua escolha como nome, foi justamente isso que despertou interesse em seu uso. Multiplicidade que expressa as nuances e inconstâncias humanas em relação aos diversos problemas, temas, discussões, pensamentos, acontecimentos e opiniões de nossa realidade. Arrazoar é “expor ou defender (causa, assunto, argumento, etc.), alegando razões; censurar; repreender; arguir; discorrer; falar.” (Versão Eletrônica Míni Aurélio, 7ª Edição, 2004)
Sejam bem-vindos, vamos ARRAZOAR em conjunto. Abraços, Felipe.