segunda-feira, 29 de março de 2010

ISSO NÃO É EGOÍSMO. VOU ARRAZOAR SOBRE EVASÃO HUMANA!!!


Dedicado ao amigo crítico: lobo feroz de minhas verdades e opiniões; pertinente leitor do meu eu; sorrateiro e fugas fantasma de minha alma; ser chato, agressivo, atrevido e, por vezes, cálice de boas e coerentes idéias. Por mais que relute, ele me faz desfrutar da grande dádiva de instigar o pensar, pensar, pensar, pensar, repudiar, pensar, pensar, pensar, pensar e, em certos momentos de reflexão, aderir aos fatos analisados seriamente, arrazoados de maneira vã e discutidos de modo impositivo.

Ao amigo, doce e rude, Modolo.


"Quando me vi
Tendo de viver
Comigo apenas
E com o mundo
Você me veio
Como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito... Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir..." (Legião Urbana, Teatro Dos Vampiros.)


Primeiro dia de aula do último ano de Ciências Sociais.

Para esse primeiro dia de aula eu tinha alguns planos; tanto para a parte da manhã quanto para o período da noite. Sabia que não ia dormir muito no dia anterior (sairia com uma estimada amiga no domingo de noite e, certamente, não acabaria o encontro muito cedo, beberia horrores); porém, para o período da noite da segunda-feira, acreditava que iria dar conta das atividades acadêmicas comemorativas (receber os calouros e, depois, participar das festividades – cervejada na “Faca no Feijão”–) sem nenhum problema (ou seja, sem a não interferência do dormir mal e da ressaca). De fato, não agüentei o baque e acabei indo para casa repousar. Resolvi burocracias da renovação de matrícula no período da manhã e não participei da recepção dos calouros durante o período da noite.

Acima há o resumo do acontecido, se não desanimar o leitor, posteriormente, me debruçarei sobre alguns fatos e acontecimentos. Caso não interesse o próximo assunto narrativo, siga para o final do texto (isso não é uma adesão à metalinguagem de Machado de Assis com a intenção de revelar uma arrogante erudição, creio que em dados momentos adentro em uma longa narração cansativa em meus textos que nem sempre o leitor está disposto a acompanhar; eu não acho chato, mas há quem ache).

O Dia da Calourada.

Depois de beber horrores com estimada amiga e dormir apenas duas horas fui para UEM resolver problemas burocráticos chatos (como era calourada, certamente, não haveria tumulto de estudantes, no período da manhã, no DAA). Ao descer do apartamento aonde havia repousado notei que faltava algo: o cartão de passe para pegar o ônibus. Ora, qual a solução dada para tal fato? Ir andando para Universidade. Pois bem, fui.

Caminhei pela Avenida Paraná às oito horas da manhã com a cabeça pesada, sacudida pela bebedeira; não notei nenhum problema aparente, estava bem sonolento e desligado. Logo subi por uma ruela para adentrar à Avenida Duque de Caxias e seguir direto, sem ziguezagues, para a UEM. Ao me aproximar do ginásio de esportes Chico Neto as coisas foram mudando; fiquei mais atento e fui sentindo algo estranho.

Primeiro dia de aula cheio de trotes de vários cursos. Muitos alunos no meio da rua sendo pintados; pedindo dinheiro no sinal e cantando canções peculiares ao curso para qual estavam adentrando. Era uma felicidade imensa dos calouros e uma grande adesão deles aos comandos e práticas dos veteranos.

Os calouros estavam extremamente felizes. Curtiam a situação de entrar para Universidade e serem recebidos pelos alunos mais experientes de seus cursos (não me eximindo desta situação já vivida, talvez tal felicidade dos calouros explique o fato deles, na maioria das vezes, aceitarem os pedidos nem sempre agradáveis de seus veteranos; revelam um estado de euforia e felicidade extrema que inibe qualquer razão crítica ou de discernimento para com os pedidos e atividades encontrados em tal “rito de passagem”).

Se essa situação de “novo” despertou euforia e felicidade nos novos integrantes da Universidade o mesmo não aconteceu comigo. Andava pelas ruas da UEM e ficava cada vez mais angustiado; cada vez que adentrava à Universidade via mais trotes, mais euforia, mais agitação, mais gritos, mais canções, etc. No plano original, eu passaria o primeiro dia de aula inteiro na UEM, de manhã até a noite. No entanto, resolvi minhas preocupações burocráticas e fui para casa repousar; porém, só o que fiz foi pensar.

Parecia que não pertencia mais àquela instituição. Não via, como antes, graça nas algazarras dos calouros e dos veteranos. Parecia estar totalmente deslocado daquele ambiente; depois de três anos imerso ali fiquei sem eira nem beira. Definitivamente, tal situação festiva não me pertencia e não me despertava graça como antes. Puta frustração! Pessoas começando algo que em breve pretendo terminar e deixar. Notei que havia, e acho que ainda há, em mim uma total perca do frescor universitário. Fiquei chato? Estou velho e rabugento? Acho que sim.

Tive inveja dos calouros? Acho que não. Aproveitei meus momentos na Universidade intensamente (festas, estudos, descobertas, amizades, convivências, discussões, etc.) e não acho que isso deva ficar restrito ao meu ser, minha vivência e minha história; afinal, gostaria que os calouros gozassem das mesmas belezas e dificuldades que eu desfrutei em minha graduação.

Porém, de fato, isso não pertencerá mais ao Dino. Estou saindo. Deixando algo para trás e, de modo claro, luto para que isso ocorra cotidianamente. Ora, além de outros significados, o que é o se esforçar para passar de ano e não ficar de dependência, estudar para não se ferrar nas provas e trabalhos do curso, pensar em possibilidades futuras de mestrado ou especialização?

A história de uma vivência ímpar em que pessoas MARAVILHOSAS me deram o prazer de sua convivência, na maioria das vezes, diária está ficando para trás. Indivíduos integraram meu cotidiano intensamente, modificaram minha vida e me deram felicidades e aborrecimentos inigualáveis; ou seja, “não foram apenas flores”, tive momentos de amor e tensão que só me fizeram amadurecer, viver e crescer. Além disso, me dediquei ao convívio com pessoas que me despertava sentimentos fraternos; estive perto de estimados indivíduos e os ouvi várias vezes, dedicando minha atenção para palavras alheias que passaram a se fixar em mim e que, por vezes, se fixaram no meu espírito na forma de preocupação, tristeza, dor, apreensão, ansiedade, nervosismo, medo, alegria, admiração, orgulho e respeito. Ou seja, me dediquei, cedi parte de mim e me doei nessas relações cotidianas que agora são abaladas pela evasão, por uma cede de esvaziamento e fuga constante das relações, por um subterfúgio de mim no distanciar e no se mudar do outro. Não gosto disso e sofro por isso.

Por estes sentimentos, acredito, não compareci a recepção dos calouros do curso de Ciências Sociais; estava triste e não tive vontade de presenciar o momento inicial daquilo que estou finalizando. Deixei que tomasse conta de mim um sentimento de tristeza pela perca, dispersão, evasão e saudade antecipada (talvez, este texto já reflita bem isso).

Sarau de Ciências Sociais.

Só reapareci na Universidade na quinta-feira; tinha que apresentar meu projeto de pesquisa para os calouros e resolvi participar do sarau comemorativo do curso. Já no sarau, fui indagado várias vezes pelas ausências nos primeiros dias de aula. Dentre as várias desculpas cordiais (que não presumiam explicação tão extensa como a apresentada acima) resolvi explicar aquilo que estava sentindo para um amigo. Este revelou que estava apresentando um comportamento egoísta: “Dino, parece que você está querendo que aquilo que permaneceu de seu em outras pessoas não se disperse, que fique restrito ao seu ser e dentro de um terreno palpável, que você possa controlar. Isso é egoísmo cara. O que você acha, que as relações são investimentos puros e extremamente controláveis, que você pode manipulá-las, indicar e exprimir sentidos particulares para elas e preservá-los unicamente para si? Acho que não cara.”

Eu respondi que não estava sendo egoísta e que o sentimento por mim sentido era outra coisa. Estava triste pela evasão humana que acontecerá entre amigos e colegas que dividiram grandes experiências; uma dispersão que, por mais que digam que é natural, é “filha da puta”. E, de verdade, não é fácil conviver com isso cotidianamente apesar dos sinais existentes desde o início do terceiro ano. Ora, o que é essa divisão de licenciatura e bacharelado? Este ano, toda minha turma possui apenas uma aula com todos os alunos. Isso não é para ficar triste? Só um tipo bem narcisista não veria infelicidade em tal acontecimento.

Bom, acho que falei demais, como sempre. Outro desabafo meu. Caso vejam problemas nos pontos levantados, ARRAZOEM largamente e me instiguem o pensar. Abraços, Dino.

OBS: Os vídeos abaixo falam de amizade. Para este texto não há nada mais adequado (coloquei o vídeo da música "Teatro Dos Vampiros" por último). E as fotos, na maioria, são da calourada do ano de 2008.

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9 comentários:

  1. Post "resposta" no DEVANEIOS!!!

    Beijos, TE AMO, meu lindo!

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  2. Obrigado Amiga, estou emocionado com suas palavras no "DEVANEIOS"!!! Obrigado de coração!!!
    Dino...

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  3. Da amiga do Dino que acha que muito provavelmente ele sai da casa dela na segunda-feira, no primeiro dia do ano letivo, percorreu a Paraná, para ir a universidade:
    querem saber: esse papo de vcs dois, seu e da Carla, aquela que disse a ela sobre as dores da maturidade (que diálogo cifrado!!!!), está muito, sei lá, assim, vamos dizer, qualquer coisa de gente muito esquisita!!!! Qual é a de vcs dois??? Dá vontade de colocar um Djavan - coisa mais chata - para fazer a trilha sorona!!! Proposta efetiva (prá não perder a mania): nos juntar, tomar algumas (mentira, muitas) e conversar muito....e sabemos que a coisa será divertida: aqui em casa domingo agora. Entrem em contato. Muitos bjs...

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  4. DA mesma pessoa que postou a mensagem anterior: é lógico que estou um tanto bebâd@ e, portanto, muitos erros que dificultam a compreensão. E depois outra: estou muito chateada, porque elaborei uma PUTA mensagem pra Carla, mas não consegui postar. Então, pra resumir: domingo aqui em casa. Dino, avisa nossa amiga sobre esse encontro e tb que é muito dificil colocar uma mensagem no blog dela. Que horror!! Afinal, foi eu quem disse a ela que a maturidade doi. Conversamos domingo.

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  5. kkkkkkkkkkkkkkkk

    Adoro a sinceridade de quem bebe. - hehehe.
    Cara "amiga anônima", seguinte: devo dizer que a dificuldade de comentar o "Devaneios" aumenta quando se está sob efeito de alcool - hehe - mas, para facilitar a vida, vou ver se consigo melhorar.
    Quanto ao nosso papo "deprê" ... momentos ........ Mas, se é pra ouvir Djavan, vamos dividir a "coisa chata"!
    Bjos, amanha aí!

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  6. “Estimada Amiga com quem saí no domingo de noite (dia anterior ao primeiro dia de aula de 2010)”, acho que dá para perceber, principalmente nas entrelinhas do post escrito por mim, que evidencio e exponho que a maturidade está aflorando e trazendo consigo as dores desse amadurecimento, neste sentido, concordo com sua fala sobre esse processo pelo qual estamos passando (Dino e Carla): “a maturidade dói”; ora, a evasão da qual falo não reflete dor? As responsabilidades vão pesando e a dispersão entre colegas e amigos vai ocorrendo enlouquecedoramente. Não consigo lidar de maneira prática e mental com isso; é foda imaginar ficar longe de pessoas tão legais e amadas, por exemplo, como você. Não entendi a qualificação de “esquisitas” para as pessoas (Dino e Carla) que adentraram à discussão que percorre este meu último post (“Estimada Amiga”, está você andando com gente esquisita? Brincadeira.); o qual, na minha opinião, não apreende a chatice musical do Djavan; tanto é, que a trilha sonora escolhida por mim é outra coisa (poderia colocar aquela música do “amigo guardado no lado esquerdo do peito” e pronto; mas não, apresentei músicas com um significado mais profundo, como, por exemplo, “Teatro dos Vampiros” do Legião Urbana). Bom, domingo já é hoje e mais tarde nos encontraremos para tomar uma cerveja (mentira, várias na verdade... Kkkkkkkkkk); caso não falemos mais sobre isso pelo blog, podemos conversar mais sobre o assunto discutido pessoalmente; coisa que eu ADOGOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!
    Beijos, Felipe Dino.

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  7. vc é muito, mas muito mesmo, cativante! Vc sabe disso, não é? Eu adogooooo vc! Como pode vc ser assim, uma pessoa tão, tão cativante?
    bjs muitos.

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  8. Fiquei aqui me indagando se deveria comentar. Por um motivo não, mas tantos outros sim:Grazie! Mari

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  9. Brigadim por ter comentado amiga;Beijos e GRAZIE!!!

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